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	<title>Boa Política &#187; Ciência e Tecnologia</title>
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	<description>Eu vou mudar o Brasil!</description>
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		<title>Centro de operações para situações de emergência no Rio de Janeiro pode virar modelo de gestão</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jan 2011 22:48:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hary</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência e Tecnologia]]></category>
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		<description><![CDATA[A cidade do Rio de Janeiro criou um centro de operações de emergência super moderno para tentar antecipar fenômenos naturais e evitar tragédias como as ocorridas na região serrana do...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A cidade do Rio de Janeiro criou um centro de operações de emergência super moderno para tentar antecipar fenômenos naturais e evitar tragédias como as ocorridas na região serrana do estado do Rio de Janeiro, no começo do mês. O projeto é uma parceria com a multinacional americana IBM.</p>
<p>É investimento em tecnologia que pode salvar vidas. Mas isso não deve desonerar a cidade de retirar as pessoas de áreas de risco e executar uma política pública de ocupação que proteja as pessoas, os interesses econômicos, sem perder de vista a necessidade de proteção de matas, rios, mananciais etc. Abaixo <a href="http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/12/28/rio-inaugura-em-31-12-centro-de-operacoes-para-situacoes-de-emergencia/" target="_blank">matéria do IDG apresenta a proposta</a>. E na seqüência, a <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI204342-15223,00.html" target="_blank">Revista Época (para assinantes) entrevista Guruduth Banavar</a>, conhecido como Guru, vice-presidente global de tecnologia da IBM, líder da parceria com a prefeitura carioca e responsável pela implementação do projeto.</p>
<h2><font color="#000000">Rio inaugura em 31/12 centro de operações para situações de emergência</font></h2>
<h4><font style="font-weight: normal">Por Redação do IDG Now!</font></h4>
<h4><font style="font-weight: normal">Centro reunirá informações para que prefeitura possa responder a incidentes e terá até um sistema de previsão do tempo, desenvolvido pela IBM.</font></h4>
<p>Começa a operar na sexta-feira (31/12) o Centro de Operações Rio, uma central de gerenciamento de informações públicas que vai integrar dados de vários sistemas urbanos, com a intenção de melhorar a resposta da prefeitura em situações de emergência, como inundações e deslizamentos.</p>
<p>Localizado na Cidade Nova, a 200 metros da prefeitura, o centro de operações também poderá atender a outros eventos que exijam a mobilização dos recursos da cidade, como a festa do Réveillon, a saída de torcidas do Estádio do Maracanã ou um simples acidente de tráfego. As Olimpíadas de 2016 e a Copa do Mundo de 2014 também foram citadas &#8211; a inauguração, na sexta-feira, terá a presença do presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge.</p>
<p>Apresentado na segunda-feira (27/12) pelo prefeito Eduardo Paes, o centro tem como destaque um telão de 80 metros quadrados e foi criado em parceria com diversas empresas, como IBM, Cisco, Cyrela, Facilities, Malwee, Oi e Samsung. Coube à IBM também o desenvolvimento de um sistema de modelagem e previsão meteorológica.</p>
<p>Os valores investidos não foram revelados. Segundo a IBM, trata-se de um plano de &quot;vários milhões de dólares&quot;.</p>
<p><img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto" alt="IBM-Rio-Operations-Center-300" src="http://idgnow.uol.com.br/idgimages/imagefolder.2010-12-01.6972245029/IBMRioOperationsCenter300.jpg/image_preview" /></p>
<p><strong>Cidades inteligentes</strong>     <br />Para a IBM, a iniciativa se encaixa em seu programa global de cidades inteligentes (Smarter Cities). Projetos semelhantes já tem sido implantados em cidades como Nova York (EUA) e Gauteng (África do Sul), afirma a empresa.</p>
<p>&quot;Estamos criando uma plataforma de fundação de TI que em breve será capaz de coletar dados sobre todos os incidentes e eventos que acontecem na cidade&quot;, disse o diretor de Smarter Cities da IBM Brasil, Pedro Almeida.</p>
<p>A IBM colabora com sua unidade de pesquisas, que vai desenvolver um sistema de modelagem hídrica e de previsão do tempo de alta resolução para a cidade (Previsão de Meteorologia de Alta Resolução, ou PMAR). Com ele, o Rio poderá prever chuvas fortes com antecedência de 48 horas.</p>
<p>O projeto é o maior conduzido pelo braço brasileiro do IBM Research Lab, um dos nove laboratórios de pesquisa da empresa em todo o mundo. A criação do laboratório foi anunciada em junho de 2010.</p>
<p>Em novembro de 2011, o Rio também será sede do quarto fórum regional Smarter Cities, promovido pela IBM. O evento terá a participação do CEO da empresa, Samuel Palmisano, e do prefeito do Rio, Eduardo Paes.</p>
<h2>Guruduth Banavar: &quot;O Rio será um modelo para o mundo&quot;</h2>
<p>O indiano responsável pelo centro tecnológico que a IBM está montando para a prefeitura carioca afirma que a cidade dará um show de gestão de crises</p>
<p>RUTH DE AQUINO</p>
<p><a href="http://www.boapolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/01/Centro-Operaes-Rio.jpg"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: ; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Centro Operações Rio" border="0" alt="Centro Operações Rio" src="http://www.boapolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/01/Centro-Operaes-Rio_thumb.jpg" width="450" height="242" /></a></p>
<p>INOVAÇÃO    <br />O indiano Guruduth Banavar (à esq.), da IBM, e o novo Centro de Operações da Prefeitura do Rio de Janeiro (à dir.) </p>
<p>”O Rio se tornará em breve um modelo de gestão de crises para todo o mundo.” A afirmação é do indiano Guruduth Banavar, de 44 anos, mais conhecido como Guru, o vice-presidente global de tecnologia da IBM que ajudou a prefeitura do Rio de Janeiro a montar um moderníssimo centro de controle de operações, construído em apenas quatro meses. O Rio importou dos Estados Unidos um radar meteorológico único no Brasil, mapeou suas áreas de risco, em estudo também inédito, e criou um sistema de sirenes que deslocará para abrigos famílias ameaçadas por calamidades climáticas.</p>
<p>ÉPOCA – O Centro de Operações da cidade do Rio é o mais avançado do mundo?    <br />Guru – Em vários aspectos, sim. O de Nova York ainda é o principal em controle da segurança da cidade. O de Cingapura é top em transporte. O do Rio é o mais moderno por integrar três pilares: equipamento, integração e inteligência.</p>
<p>ÉPOCA – Como ele funciona?    <br />Guru – Há um telão de 80 metros quadrados com monitores que exibem tudo o que acontece na cidade 24 horas por dia, sete dias da semana. Há tecnologia de ponta para gerenciar essa informação. São mais de 300.000 metros de fibras ópticas e cerca de 200 câmeras. A sala de controle reúne 70 controladores. Há uma sala de crise e 40 salas de teleconferência. Dezenas de órgãos municipais atuam juntos, centenas de profissionais multidisciplinares se sentam lado a lado. Conseguir isso é raro, e olha que trabalhamos com cerca de 100 cidades. </p>
<p>ÉPOCA – Como a IBM contribuiu?    <br />Guru – Nosso objetivo é usar a tecnologia para tornar as metrópoles mais humanas, mais habitáveis. Identificamos logo áreas prioritárias. O prefeito selecionou transporte, turismo, saúde, segurança como setores que exigiam ações mais urgentes. Mas as chuvas já eram sua principal preocupação, porque em abril do ano passado a cidade tinha sofrido muito com deslizamentos. Em maio, ele me encarregou de criar em primeiro lugar um sistema que permitisse salvar vidas em caso de chuvas e enchentes. Sugeri que ele nomeasse um executivo de operações para centralizar o controle. E foi o que ele fez. Levei ao Rio especialistas em crises, como um assessor do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani. Ajudamos a prefeitura a atrair interesse de outras empresas, como Samsung e Cisco, que doaram equipamentos. </p>
<p>ÉPOCA – Qual é a maior novidade?    <br />Guru – Uma delas se chama Previsão de Meteorologia de Alta Resolução, modelo matemático criado pela IBM especialmente para o Rio. Pode prever chuvas fortes com até 48 horas de antecedência. O sistema envolve a reunião de dados da bacia hidrográfica, o levantamento topográfico, o histórico de chuvas do município, assim como informações de satélites e radares. Vai entrar em operação ainda no primeiro semestre de 2011. Contamos com a ajuda da Geo-Rio, que elaborou, com levantamento a laser e câmeras acopladas a helicópteros, um mapa da cidade levando em conta declividade, uso do solo, condições geológicas. Está prevista a instalação de 60 sirenes para alerta e alarme, o que abrangerá 80% dos moradores em áreas de alto risco. </p>
<p>ÉPOCA – Qual é o próximo desafio?    <br />Guru – No transporte, podemos tornar mais precisas as análises para prevenir engarrafamentos. Mas o maior desafio é aprender a usar tudo o que está à disposição. Precisamos treinar os profissionais que ali estão, para que seja feito o cruzamento de dados e sejam tomadas as decisões necessárias em situações de emergência e nos grandes eventos. É uma mudança cultural. Gente que trabalhava isoladamente e não repassava informações importantes agora percebe que não basta dispor de softwares e monitores. É preciso sair de uma postura passiva e agir em equipe. Estamos no Rio porque a cidade vai sediar as Olimpíadas e porque encontramos na prefeitura uma visão de futuro compatível com a nossa. Escolhemos o Rio para sediar em novembro deste ano o congresso internacional de inovação da IBM, para poder mostrar a outros países o caminho da gestão que põe o mundo digital a serviço do cotidiano nas grandes metrópoles. </p>
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		<title>Mais um brasileiro brilhante &#8211; quando vamos investir em pesquisa?</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Jan 2011 01:05:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hary</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência e Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Investimento]]></category>
		<category><![CDATA[Patentes]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>

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		<description><![CDATA[As duas matérias a seguir mostram dois aspectos interessantes do mundo nesses dias. Na primeira (Época, pasa assinantes), uma médica brasileira de apenas 32 que está ajudando a mudar a história das transfusões de sangue no mundo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As duas matérias a seguir mostram dois aspectos interessantes do mundo nesses dias. Na primeira (<a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI200448-15257,00.html" target="_blank">Época, pasa assinantes</a>), uma médica brasileira de apenas 32 que está ajudando a mudar a história das transfusões de sangue no mundo. Na seguinte (<a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me0901201107.htm" target="_blank">NYT na Folha, para assinantes</a>), uma China ávida por assumir a liderança das patentes. E para isso, muito dinheiro vai caminhar para pesquisa. E o Brasil? Bem, o Brasil continua míope para a necessidade de investir em Educação. Sobram vagas com alta qualificação. Devemos hoje ser o maior caso de desperdício de pleno emprego no mundo… </p>
<hr />
<h2>Menos sangue, por favor</h2>
<p>Uma jovem cardiologista brasileira demonstra que transfusões podem trazer mais riscos que benefícios. Quem, afinal, deve recebê-las? </p>
<p>Cristiane Segatto</p>
<p><a href="http://www.boapolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/01/Ludhimila.jpg"><img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; margin: ; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="Ludhimila" border="0" alt="Ludhimila" src="http://www.boapolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/01/Ludhimila_thumb.jpg" width="346" height="242" /></a></p>
<p><strong>EM CASA </strong>    <br />Ludhmila na UTI cirúrgica do InCor, em São Paulo. O estudo que ela realizou com 512 pacientes mudou o comportamento dos médicos</p>
<p>A goiana Ludhmila Abrahão Hajjar nunca teve dúvidas sobre sua vocação. Aos 7 anos, pediu um esqueleto de presente. Aos 8, um kit para simular pequenas cirurgias. “Quando alguém se machucava, eu corria para ver o sangue”, diz. Aos 17, já cursava medicina na Universidade de Brasília. Agora, aos 32, já reconhecida como profissional, está desafiando uma das práticas mais arraigadas entre os cirurgiões. E, de novo, o motivo de sua inquietação é o sangue. Mais precisamente o excesso de transfusões de sangue. Quando alguém precisa passar por uma cirurgia demorada (acima de três horas de duração), quase sempre recebe uma transfusão de sangue. O objetivo é compensar a perda sanguínea que ocorre durante o procedimento. As transfusões são muito comuns em cirurgias cardíacas como ponte de safena, troca de válvula e transplantes. Se a quantidade de hemoglobina (proteína responsável pelo transporte de oxigênio para os tecidos) cai a níveis inferiores a 10 gramas por decilitro de sangue, o cirurgião pede uma transfusão. Os médicos não se perguntavam de onde havia saído esse limite. Ludhmila, porém, decidiu investigar o procedimento em seu doutorado, orientado por José Otávio Auler Jr., na Universidade de São Paulo. Descobriu que ele se justifica pela tradição – e não pelo embasamento científico. </p>
<p>A história é antiga. Em 1934, o americano John Lundy criou na Clínica Mayo o primeiro banco de sangue do mundo. Em 1942, ele propôs o limite de 10 g/dL baseado na observação de seus pacientes. Desde então a recomendação vem passando de geração em geração. “Não podemos continuar fazendo medicina em 2011 baseados num relato de 1942”, afirma Ludhmila. Para colocar a recomendação à prova, ela realizou um estudo com 512 pacientes do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo. Eram doentes graves, com perfil semelhante (tinham diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca), que foram submetidos a cirurgias cardíacas. </p>
<p>Metade do grupo recebeu sangue quando o nível de hemoglobina caiu a 10 g/dL. A outra metade só passou pela transfusão quando o índice ficou abaixo de 7 g/dL. O que ela comprovou? Os doentes que receberam menos sangue se recuperaram tão bem quanto os que receberam mais sangue. Uma segunda comparação (pacientes graves que receberam sangue <em>versus</em> pacientes que não receberam sangue, por estar com índices entre 7 g/dL e 10 g/dL) revelou que a transfusão aumenta em 20% a taxa de mortalidade e de complicações clínicas a cada bolsa de sangue recebida. Ficou a impressão de que quanto menos sangue se receber, melhor. </p>
<p>O trabalho foi publicado em outubro no <em>Journal of the American Medical Association</em> com elogios no editorial. “Esse estudo é uma adição notável às evidências anteriores”, escreveu Lawrence Tim Goodnough, da Universidade Stanford. “Elas sugerem que reduzir ou evitar as transfusões em pacientes cardíacos melhora o resultado do tratamento.” </p>
<p>O excesso de transfusões acarreta três graves problemas. O primeiro é o risco de que o sangue esteja infectado por bactérias ou vírus. Nem todos os bancos fazem o teste rápido do HIV. Se o doador estiver na janela imunológica (período que o organismo leva, a partir de uma infecção, para produzir anticorpos que possam ser detectados por exames), o paciente poderá ser infectado. Também poderão ocorrer disfunções vasculares ou inflamações no pulmão. O segundo problema está relacionado aos custos. Uma bolsa de sangue com 350 mililitros custa de R$ 300 a R$ 800. A maioria dos pacientes recebe de duas a três. Se o doente passa mais de sete dias no hospital, costuma receber pelo menos uma bolsa para compensar o sangue perdido em sucessivas coletas para exames. </p>
<p>O terceiro problema é a falta de doadores. Sangue é um artigo raro, que não deve ser desperdiçado. “Não pretendo dizer que agora é proibido transfundir”, diz Ludhmila. “O importante é que o médico decida dar o sangue a partir da avaliação individual da condição do paciente, e não baseado num número mágico.” Uma pessoa com infarto agudo ou em choque (estado anormal de falta de oxigenação nos tecidos, que pode ser fatal) pode se beneficiar de sangue numa fase mais precoce. </p>
<p>“Não podemos continuar fazendo medicina em 2011 baseados num relato de 1942”, diz Ludhmila“Não podemos continuar fazendo medicina em 2011 baseados num relato de 1942”, diz Ludhmila</p>
<p>No InCor, o trabalho de Ludhmila já mudou o comportamento dos médicos. “Nossa conduta agora é evitar a transfusão”, diz Noedir Stolf, chefe do departamento de cirurgia cardíaca. Nas últimas décadas, Stolf realizou mais de 300 transplantes de coração. Segundo ele, a ideia de evitar as transfusões não é nova. “Nenhum outro estudo, porém, havia chegado a conclusões sólidas como esse.” </p>
<p>O estudo repercutiu rapidamente entre os médicos estrangeiros. Ludhmila foi convidada a dar uma aula no Congresso da American Heart Association. Também deu palestras pela webcam para médicos da Universidade de Washington e Universidade de Michigan. Seu maior incentivador foi o cardiologista Roberto Kalil Filho, que cuida da saúde dos mais importantes figurões da República. “Ele sabe tudo de medicina”, diz a médica. “Quando eu estava na residência, foi ele quem me mandou fazer a pesquisa.” </p>
<p>A moça que saiu de Anápolis para perseguir o sonho de ser médica (a contragosto do pai fazendeiro) não faz outra coisa da vida. Coordena a UTI cirúrgica do InCor e a UTI cardiológica do Sírio-Libanês. E também a UTI do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Mora sozinha e não tem namorado: “A coisa não vai para a frente. Ninguém aguenta o meu celular”. Ela é de poucas vaidades. Uma vez a cada quatro meses a mãe vem de Anápolis decidida a arrastá-la até o cabeleireiro. Consegue, mas logo o celular toca. </p>
<hr />
<h2>China estimula inovação e patentes </h2>
<p>Governo quer 2 milhões de patentes, em áreas como energia solar e eólica, telecomunicação, baterias e carros. País quer deixar de ser fábrica de cópias; empresas prolíficas em registros ganham prêmio e isenção fiscal.</p>
<p>STEVE LOHR (O &quot;NEW YORK TIMES&quot;)</p>
<p>A China tenta construir uma economia que dependa da inovação, e não da imitação. Seus líderes reconhecem que ser a oficina de baixo custo da economia mundial para a montagem dos produtos inovadores projetados em outros países -o iPad e outros bens de alta tecnologia servem como exemplos- é um método limitado.</p>
<p>Um recente documento governamental contém metas para elevar drasticamente a produção nacional de patentes. Publicado em novembro pelo Serviço de Propriedade Intelectual da China, tem o título &quot;Estratégia Nacional para Desenvolvimento de Patentes (2011-2020)&quot;.</p>
<p>A meta chinesa para o número anual de patentes solicitadas até 2015 é de 2 milhões. O número inclui &quot;patentes de modelos de utilidade&quot;, que tipicamente envolvem detalhes de engenharia de um produto, e são menos ambiciosas que as &quot;patentes de invenção&quot;.</p>
<p>Em 2009, cerca de 300 mil solicitações de patentes de utilidade foram apresentadas na China, total mais ou menos semelhante ao das patentes de invenção, que nos últimos anos vêm crescendo em ritmo mais rápido que as primeiras.</p>
<p>ACELERAÇÃO</p>
<p>Em outubro, a Thomson Reuters lançou um relatório em que previa que a China ultrapassaria os Estados Unidos em número de patentes solicitadas já em 2011. &quot;Está acontecendo mais rápido do que antecipávamos&quot;, afirma Bob Stembridge, analista de propriedade intelectual na Thomson Reuters.</p>
<p>O documento indica, por exemplo, que a China pretende em geral duplicar seu número de analistas de patente, para 9.000, até 2015 (nos EUA, eles são 6.300).</p>
<p>A China também deseja dobrar o número de patentes que seus habitantes e empresas solicitam no exterior. Segundo o diretor do Escritório de Marcas e Patentes norte-americano, David J. Kappos, as solicitações chinesas recentes nos EUA são principalmente em áreas que a China declarou prioridades industriais, entre as quais energia solar e eólica, tecnologia da informação e telecomunicações e fabricação de baterias e automóveis.</p>
<p>A China introduziu diversos incentivos. Eles incluem bonificações em dinheiro, melhores acomodações para as pessoas que solicitam patentes e isenções tributárias para as empresas prolíficas na produção de patentes.</p>
<p>A estratégia é orientada e patrocinada pelo Estado.</p>
<p>Isso deveria preocupar os EUA? &quot;A esta altura, é uma abordagem de força bruta, enfatizando a quantidade de ativos de inovação, e não sua qualidade&quot;, afirma John Kao, consultor empresarial e governamental de inovação.</p>
<p>A China, diz Kao, não só é muito maior que o Japão mas também uma sociedade mais empreendedora em termos individuais. Ele prevê que um dia empresários chineses desempenharão o mesmo papel de Steve Jobs e Mark Zuckerberg (criadores da Apple e do Facebook).    <br />Kao afirma, porém, que os EUA estão em vantagem comparativa porque são o país mais aberto a inovações.</p>
<p>&quot;A cultura norte-americana, mais que qualquer outra, perdoa fracassos, tolera riscos e abraça a incerteza.&quot; &quot;Mas o futuro dos EUA está em orquestrar e em servir como integradores de sistemas&quot;, diz Kao. &quot;Veja o Vale do Silício. É um lugar onde pessoas inteligentes de todas as nações e todos os grupos étnicos se unem. É a capital da inovação integrada.&quot;    </p>
<p>Tradução de PAULO MIGLIACCI</p>
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